Mas de que adianta sair para festa e voltar para casa sempre com o coração vazio?
Não, eu não posso tomar decisões pelas outras pessoas. Se pudesse sei que eu seria mais feliz, mas, e os outros? Seriam também felizes ou seriam vítimas do meu egoísmo? Então, se não posso optar por ninguém, que eu aprenda a ser feliz com o que vem até mim por livre e espontânea ‘vontade’.
É você olhar no espelho, se sentir um grandessíssimo idiota. Saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal.
(Raul Seixas)
Você com essa mania de ter tantos amigos me faz ter raiva e querer compulsivamente sua atenção. E me faz querer tanto você daqui a pouco, porque você não enjoa. E peço para que eu nunca desista de sentir essa raiva, porque não pode existir raiva mais cheia de borboletas, notas musicais e passarinhos azuis. Eu quero sim te matar, porque você tem uma mania surda de me chamar de brava, de chata, e eu quero te socar porque você já descobriu tudo o que me irrita e gosta de me ver assim. Mas quando qualquer outra coisa no mundo me irrita, eu lembro que eu tenho você pra me fazer sentir serena outra vez dizendo que não vai discutir nem brigar comigo, mesmo eu querendo muito.
E eu só tenho a mim, eu só tenho a mim, repetiu, voltando a cair sobre a cama. Não posso sentir medo, não devo sentir medo, não quero sentir medo.
Não chorei, não gritei, não fiquei chateado, não bati pé. Pra que fazer tanto barulho? Que vá, nunca me pertenceu.
Claro que eu adoro minha casa, meu cachorro, meus amigos, meus livros, viagens, músicas. Tenho uma vida ótima. Mas nenhuma dessas coisas se compara ao prazer que eu tenho ao ouvir o barulhinho de uma mensagem dele chegando. Ou de quando o telefone toca e eu sei que é ele e o meu coração dispara tanto que eu tenho medo de morrer antes de falar: alô.